RELATO DE MÃE 12/07/2019 15:11

Érica Oliveira conta o que aprendeu com seu filho autista

Foto: Divulgação

No Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado em 2 de abril, muito se fala sobre a luta das famílias de pessoas com autismo pela inclusão desses indivíduos na sociedade. O amor pelos filhos é o maior motor para que mães lutem pela inclusão e conscientização do autismo na sociedade. Este é o caso da Érica Oliveira, que nos concedeu um lindo relato como mãe de um autista.

Érica é mãe do Matheus, e em um emocionante relato, nos contou sobre o diagnóstico de seu filho com autismo moderado. A gravidez e primeiros anos de vida do pequeno foram como os de qualquer outro bebê. No entanto, foi a partir dos dois anos de idade que Matheus passou a apresentar sintomas do transtorno de autismo.

Confira o relato de mãe da Érica:

“Quando engravidei do Matheus me sentia muito nova. Não foi uma gravidez planejada. Com o tempo houve a aceitação [da família] e tudo foi ficando mais fácil… Matheus nasceu cheio de vida, lindo e maravilhoso. O que ele mais amava era mamar, me sugava o tempo todo (risos)! Mas, como nem tudo são flores, ele era um bebê muito chorão, chorava o tempo todo.

Meu filho se desenvolveu perfeitamente. Foi um bebê lindo, gostoso! Fazia tudo como qualquer bebê: Sentou, engatinhou, andou, falava algumas palavras, chutava bola… Muito esperto!

Quando ele completou dois anos ele começou  a regredir. Parou de fazer tudo que fazia antes. A última palavra que o ouvi dizer foi “água”. Foi aí que veio o desespero. “O que está acontecendo com meu filho? Ele não está bem.”, eu pensava. E foi aí que comecei a procurar ajuda médica. Fomos atrás de um neurologista, e daí veio o diagnóstico de autismo.

“Autismo… Mas o que é autismo?”, pensei. Começamos a pesquisar, já que eu não conhecia esse transtorno. A partir daí tudo era novo para mim. Me sentia completamente perdida. Uma mãe de primeira viagem com um filho autista. Quando o diagnóstico é dado, logo te falam que NÃO tem cura. O mais triste é voltar para casa e não saber lidar com a situação, não existe manual de instruções para isso.

Então fomos à luta. Buscar tratamento é sempre a parte mais difícil. Te dão o diagnóstico de autismo, mas não oferecem nenhum tipo de amparo. Por isso, cada um vai atrás como pode. Nós estamos sempre fazendo e buscando o melhor para ele.

Minha rotina virou de cabeça para baixo. Eu trabalhava, e tinha que sair de lá muitas vezes para levá-lo às muitas terapias… Com o passar do tempo, já não tinha mais condições de associar meu trabalho com todas as consultas do Matheus. Por isso, hoje me dedico o tempo todo à ele, e não me arrependo. Meu dever está cumprido, o amor é o mais importante. Ele me ensina muito todos os dias.

“A última palavra que o ouvi dizer foi “água”. Foi aí que veio o desespero.”

Digo para as outras mães que não desistam nunca dessa batalha. Ela é compensadora, e eles são anjos em nossas vidas. Precisamos nos encorajar para ajudá-los. Não podemos chorar a vida toda… É preciso ir à luta, pois qualquer desenvolvimento deles significa muito para nós, pais.

Vamos lutar para incluir os autistas na sociedade, lutar pelos seus direitos e torná-los independentes. Juntos venceremos o preconceito!”