PEDRO MINHONI 02/05/2018 08:45

Caparaó

Foto: Guerrilheiros e respectivos equipamentos capturados

Revolução. Do adjetivo ao conceito histórico, a palavra tem casa fácil no linguajar diário, desde aparições referentes a um filme, jogos eletrônicos, modelos de automóvel, roupas, quadros, arquitetura, jornais, aulas de história, enfim, diversos temas que, quase sempre, trazem consigo uma carga de “novo”, de uma grande mudança perante um referencial, então, obsoleto.
 
Definir de maneira absoluta seu significado, sem um referencial ou coesão temporal mais definida pode vir a ser um grande descuidado. Para continuidade do texto adotaremos os pontos adquiridos juntos da revolução francesa - 1789, marco da idade contemporânea bem como da revolução burguesa, capitalista – que remete a um sentido de ruptura, uma troca brusca de direção nos caminhos sociais, afetando o todo nas esferas da cultura (como modo de vida, o dia-a-dia), da economia e da política.

Caparaó foi uma delas, ou pelo menos tentou ser. Nas palavras de Fernando Gabeira, conhecida como “a guerrilha que caiu, sem disparar um único tiro”. Tal grupo, formado em grande parte por ex-militares, ficou na região da serra homônima (localizada entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo) entre os anos de 1966 e 1967 e ansiava, como muitos outros, destituir o esquema sócio-político instaurado no país. 

Diferente do conflito entre jacobinos e girondinos, a nossa revolução “fracassada”, teve uma vida curta e uma morte prematura. De sintonia com o “modelo cubano” de uma luta armada, uma guerrilha com adesão camponesa – um dos únicos meios possíveis de se fazer uma revolução, a partir dessa perspectiva – foi definhada antes mesmo de sair da região, com a fragilização do apoio (tanto cubano, como nacional), das tropas e da não adesão de novos integrantes ou da população local e que acabou por ser sufocada pela ditadura militar do país.

Entrar no mérito das ferramentas revolucionárias latinas do século XX não é o intuito do argumento – tampouco caberia em singelas linhas – da mesma forma que o entendimento de mudança brusca, violenta ser associado exclusivamente a violência física, a agressão, a um único tiro disparado, além de nocivo por si só, pode causar ainda mais confusão em tempos de intolerância social e confusão política. A comunhão que fica é a de que uma revolução não pode ser associada a permanência de antigas estruturas, de um simples remanejo. 

Essa ruptura não precisa atingir, necessariamente, parâmetros globais socioeconômicos ou políticos (não que não o possa e, muitas vezes, o deve!) mas, o cotidiano, a rotina do trabalho, de casa que, se intentadas de mudança, exigem uma abordagem mais singela, focada na nossa realidade mas que, mesmo assim, tencionem costumes novos, uma atitude diferenciada perante o que é instaurado, o que é estrutural. 

Daí a escolha por Caparaó. Falar em fracasso, insucesso, é um privilégio que o tempo nos permite ao passo que olhamos o evento ocorrido, o passado. Não derrubaram a ditadura como intentado, tampouco podemos excluí-los do processo de questionamento, de afrontamento da ditadura militar no país. Concentrar o sucesso de um projeto, de um processo, de uma ação, somente em seu resultado final é um desrespeito com o conceito em si. Muitas vezes, o “querer” revolução pode ser muito mais importante que a resolução da mesma.

Eu não espero (re)inventar a roda com textos desse formato, tampouco acho que meu projeto verão 2018/19 vai me deixar mais próximo fisicamente de um modelo surfista bronzeado apto ao surf. A intenção é a mudança, violenta, nada pacífica com a rotina, feita com pesquisas e perspectivas à cerca de conceitos, ocasiões, manifestações e o que mais as ferramentas tecnológicas, jornalísticas e históricas me permitirem. Não cabe aqui a presunção da finalidade, não coube aos que estavam em Caparaó. 

Sou Pedro. Até a próxima!
 
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