DE BOTUCATU 06/06/2019 11:14

Agência14News traz relato de superação de atleta amador após sobreviver a acidente de carro

Foto: Arquivo Pessoal

Daniele Amorim Panhoça entrou em contato com redação do Agência14News, para contar a história de superação de Rafael Antonio Panhoça, seu marido, atleta amador de 36 anos da cidade de Botucatu, que através do esporte superou seus limites, afastou a depressão e hoje quer ajudar outras pessoas na mesma situação.

Rafael sofreu um grave acidente automobilístico em 03 de janeiro de 2014. Ele seguia por uma rodovia momento que outro carro cruzou a via colidindo com seu veículo. Rafael teve fratura exposta da patela, rompimento do tendão patelar do joelho direito, lesão no tornozelo direito, esmagamento e rompimento do nervo radial e fratura de húmero direito, retirada de nervos da panturrilha esquerda para enxertoplastia no nervo radial (infelizmente até hoje sem sucesso), fixação de placa e oito parafusos no humero direito, passou por retirada do arame do joelho e raspagem. 

"Rafael passou por cinco cirurgias, ficou 16 dias internado, quatro meses acamado, 60 dias em uma cadeira de rodas e aproximadamente três anos fazendo inúmeros sessões de fisioterapia. Ficou afastado do trabalhopor quase dois anos, de janeiro de 2014 a dezembro de 2015, quando retornou ao trabalho com diversas limitações devido às restrições médicas, onde permanece até hoje", explica Daniele.

Com a fratura já consolidada e autorização médica, começou a praticar atividades como corrida e andar de bicicleta para evitar a depressão, já que se encontrava em estado grave de ansiedade. Junto veio o fortalecimento e logo já estava correndo pelas ruas de Botucatu. 

"Diante dos treinos foi ganhando espaço e conhecendo outros atletas amadores de Botucatu, comecou a contar com assessoria esportiva e então seu desenvolvimento tomou um tamanho inesperado, resultado diário de muita dedicação, esforço, garra e determinação.
Nesse período de cerca de 12 meses correndo, conseguiu alcançar podios em Botucatu, Avaré, Barra Bonita, Areiópolis e São Manuel", conta Daniele.

Em abril desse ano, procurou atendimento médico devido a fortes dores no tornozelo e depois de um exame de Raio-X foi diagnosticado com ARTROSE pós-traumática, devido a calcificação do tornozelo quebrado na época do acidente que não fora notado por Rafael ter ficado acamado tanto tempo, tomando medicação para controlar as dores. "O médico disse que essa doença é pós-traumática, devido ao acidente de 2014, que foi se agravando ao longo dos anos. Sendo assim, ele foi orientado a diminuir as corridas de ruas e montanhas e se direcionar para outro esporte, como andar de bicicleta e natação, sendo esse um pouco difícil por não ter o movimento extensor de uma das mãos. É possível que continue a correr, porém, com percursos menores ao que estava treinando e competindo", explica.

Daniele conta também como ajudou o marido durante esse processo. "Foi bastante complicado, pois na época me encontrava com duas crianças, uma com 3 anos e 5 meses e um bebê de 8 meses, e com Rafael, que tinha que ficar acamado, não podia levantar da cama, pois devido a cirurgia no joelho direito não podia dobrar nem apoiar os pés no chão, ele também estava com o braço direito imobilizado e o esquerdo com curativos, dependendo de assistência para realizar todas as suas atividades básicas e ainda atenção quanto aos medicamentos e cuidados devido a situação que se encontrava. Fora tudo isso, eu ainda tinha que trabalhar, foi um período complicado, mas contei com a ajuda de familiares e alguns amigos", explicou.

Atualmente, Rafael conta que as dores são constantes, principalmente quando abaixa a temperatura. "Na última consulta que passei na ortopedia da Unesp, na fila para o atendimento, olhei para os lados (outros pacientes, muitos pacientes) e percebi mais uma vez que mesmo com todas as minhas lesões e agora com a artrose, seria possível eu buscar outro caminho, praticar outro esporte, para cuidar da minha saúde física e que não me deixaria abalar psicologicamente".

Mesmo depois de tanto sofrimento e tantas limitações, o sonho de Rafael é incentivar e motivar pessoas que tenham qualquer limitação, buscando a prática da atividade física para tratar a depressão, e ainda motivar pessoas sedentárias a buscar a saúde física e mental. "Após a consulta tive a idéia e orientação de outra alternativa, que teria mesmo que parar com a corrida, para evitar um avanço precoce para uma inevitável cirurgia. Devido a sequela na mão direita (extensor de punho e dedos) na natação ficaria complicado, pois então, optei pela bicicleta, que se trata de um esporte com menos impacto para meu tornozelo. Hoje continuo praticando corrida, só que meus treinos são em esteira apropriada e acompanhamento técnico, e treinos com bicicleta MTB (que estou batalhando para conseguir uma bicicleta apropriada com adaptação para membros superiores devido minha lesão na mão direita). Concluindo, percebi mais uma vez que o que limita o corpo é a mente, sendo ela positiva sempre terá uma saída. SÓ DEPENDE DE VC ", finaliza Rafael.

 (do Agência14News)