TÊNIS DE MESA 27/10/2019 20:29

Cátia Oliveira consegue prata no Circuito Mundial da China

Catia Oliveira jogou futebol em Botucatu.

Cátia Oliveira conseguiu medalha de prata no Circuito Mundial Paralimpico na China na madrugada de sábado (26).

A atleta disputou duas partidas válidas pela etapa do circuito mundial da China de tênis de mesa, e garantiu a prata ao vencer a coreana Su Yeon por 3x1 e a atleta de Singapura Claire Toh. 

Com os resultados, Cátia terminou sua participação com um saldo muito positivo no torneio, com 3 vitórias em 4 jogos, e vai trazer de volta para o Brasil a medalha prateada na mala.

"Agradecemos a todos que torceram e mandaram vibrações positivas, o resultado não poderia deixar de vir com todo o apoio de vocês! Comemora Brasil", mencionou a atleta em sua página.

EQUIPE

O tênis de mesa paralímpico brasileiro teve assim um ótimo teste desde a noite de quinta-feira (sexta-feira, 25, no fuso chinês). As atletas Bruna Alexandre, Cátia Oliveira e Joyce Oliveira disputaram, em Hangzhou, o Aberto da China, competição fator 40 do Circuito Mundial Paralímpico de Tênis de Mesa.

As três atletas se preparam para os Jogos Paralímpicos de 2020. Joyce Oliveira é a única oficialmente com a vaga garantida, pois venceu a disputa dos Jogos Parapan-Americanos de Lima. Ela é a atual nona colocada no ranking mundial da classe 4.

As outras duas atletas são nomes praticamente certos em Tóquio. Cátia Oliveira, prejudicada na junção das classes 2 e 3 do Parapan, é a atual vice-campeã mundial e está em quarto lugar na lista mundial da classe 2. Bruna Alexandre é a segunda colocada na classe 10. Ambas devem garantir as vagas sem maiores problemas.

Desta forma, o planejamento para Tóquio foi uma realidade e medir forças contra muitas asiáticas e europeias que ocupam as primeiras colocações no ranking uma necessidade. Bruna, Cátia e Joyce são nomes que brigam por medalhas em 2020.

DO FUTEBOL EM BOTUCATU PARA O TÊNIS DE MESA

Com a bola no pé - Por Daniel Lira

Desde criança Cátia já mostrava seu  envolvimento com o esporte, brincando de pega-pega, esconde-esconde e  claro, futebol, nas ruas de Cerqueira César, pequena cidade do interior  de São Paulo. A Cátia nasceu com a bola de futebol no pé, sempre sonhou  em ser jogadora (desde pequena), futebol é sua paixão.
O sonho de ser jogadora profissional só  crescia a cada dia, seu pai então conseguiu um teste para ela no time  feminino de Botucatu no ano de 2006. Cátia não decepcionou e de quebra  marcou dois gols em cima da equipe principal, sendo aceita no time. Por  conta de seu sonho ela teve que abrir mão de algumas coisas, com 14 anos  se viu obrigada a mudar de cidade e morar longe de sua família. O ano  seguinte foi maravilhoso, o time de Cátia foi campeão de todos os  campeonatos que disputou. “Graças ao meu pai que consegui realizar meu sonho de jogar futebol”. 

Cátia conseguiu se destacar mais ainda no ano de 2007, chamando a  atenção de treinadores de outros times e inclusive da seleção  brasileira. Um sonho interrompido

Porém um grave acidente mudou seu rumo.  Aos 16 anos Cátia dormia no banco de trás de um carro dirigido por uma  colega de equipe, quando a motorista perdeu o controle e bateu na  traseira de outro veículo, Cátia foi lançada para frente e com o impacto  sofreu um trauma na coluna e ficou tetraplégica. Quando ela estava na  ambulância a caminho do hospital, seu técnico recebeu uma ligação da  seleção brasileira avisando que a jogadora tinha sido convocada para  disputar o Mundial sub-17.

O período de recuperação foi muito  difícil, mais difícil ainda foi a aceitação das sequelas decorrentes do  acidente, ela comenta: “Foi muito difícil, eu sou tetra,  então quando eu estava no hospital ainda, eu só mexia os olhos, e eu não  entendia, eu não tinha noção que eu podia quebrar a coluna, para mim eu  ia sair do hospital e em um mês eu ia andar. Mas aí foi passando o  tempo e eu cai na realidade.”

Depois de difíceis quatro meses tentando  aceitar o acidente, Cátia foi para o hospital da Rede Sarah Kubitschek  (centro de reabilitação destinado ao atendimento de poli traumatismo e  problemas locomotores) que mudou seus pensamentos e suas escolhas. “Após  ver uma criança na cadeira de rodas feliz, sorridente e brincando  consegui entender que Deus tem propósitos maiores, temos que agradecer  por tudo que temos e não pelo que não temos, que nossas limitações estão  apenas em nossas cabeças”.

A mudança e o tênis de mesa

Voltando para sua cidade natal, ela  continuou fazendo fisioterapia e sempre sonhou em voltar a praticar um  esporte, porém em uma cidade de apenas 20 mil habitantes não via isso  possível. Em 2013 foi a uma feira (Reathec), e conseguiu ter acesso a  diversos esportes paralímpicos, e atletas que na época eram da seleção,  onde conheceu o tênis de mesa. Nele ela enxergou que poderia praticar o  esporte pois não dependia de outro deficiente físico para pratica-lo.  Após sua classificação funcional decidiu participar de umas das etapas  da Copa do Brasil, onde sem treinos conquistou uma medalha reacendendo  assim seu sonho de ser atleta novamente.

Com poucos recursos Cátia conseguiu  ajuda de uma escola de sua cidade (Cooperativa Educacional Cerqueirense)  onde três vezes por semana ficava disponível a mesa de ping pong da  escola para ela bater bola e “treinar” com o irmão, amigos e um dos  inspetores de alunos. Um anjo de pessoa que vendo todo esforço da Cátia  doou uma mesa profissional para a atleta; onde a mesma colocou na sala  de sua casa, só tinha a mesa nessa sala e os treinos diários aconteciam  com o irmão, professor da academia Fisicon Rudson, amigos e outros que  se habilitavam a ajudar. No final desse mesmo ano, no campeonato  Brasileiro, Cátia já mostrou sua aptidão para o esporte e com um bom  desempenho a seleção Brasileira viu todo seu talento e ficou interessada  pela atleta.

O sonho Olímpico 
Com o sonho de representar o Brasil nas  Paralimpíadas de 2016, Cátia entendeu que precisava buscar novos  caminhos para sua preparação, pois só assim conseguiria a classificação  para os jogos do Rio 2016. O sonho falava mais alto, quando em 2014,  através de uma pesquisa na internet, encontrou a Associação Nova Era de  Tênis de Mesa de Bauru, um dos melhores centros de treinamento de tênis  de mesa do país.

No primeiro semestre deste ano Cátia dividia suas atividades trabalhando  no período da manhã na secretaria da Prefeitura de Cerqueira César e  três vezes por semana viajava até Bauru para treinar na escolinha da  Nova Era. Foi o início de uma paixão com seu novo esporte.

Cátia começou a jogar tênis de mesa no  começo de 2013, e em menos de um ano já era cogitada para a seleção  brasileira. Em 2014 ela participou de um campeonato na Costa Rica, onde  de forma inesperada venceu a 9ª melhor jogadora do mundo, saltando da  22ª posição no ranking para 10ª melhor atleta de tênis de mesa na Classe  2. Após esta conquista, em menos de um ano de treinamento, veio a sua  primeira convocação para integrar a seleção brasileira.

O sonho de representar o Brasil falava  cada vez mais alto e após ser convidada pela Associação Nova Era para  fazer parte de sua equipe de alto rendimento, decidiu deixar seu  trabalho, família e amigos, e mudou-se para Bauru. Nesse período morava  junto com os outros atletas e recebia ajuda de um de seus companheiros  de equipe para os seus cuidados pessoais.

(do 14News)