POLÍTICA 15/03/2019 22:46

Pessoas opinam sobre o início da gestão Bolsonaro

Foto: EBC.

Ouvimos pessoas de diferentes segmentos sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro que assumiu o cargo no dia 1 de janeiro. Há vários tipos de manifestação.

O governo tem tomado atitudes como a busca da reforma da previdência, cortes de cargos e ao mesmo tempo momentos mais conturbados com denúncias de candidaturas de laranjas e o presidente se envolvendo em polêmicas extra-governo.

MERCADO

“Avalio até o momento como positiva, em consenso com o mercado. Tem colocado em pauta as discussões sobre a Reforma da Previdência que será o calcanhar de Aquiles da sua gestão. A exoneração de Gustavo Bebiano também avalio como positiva e corrobora com o discurso que não irá tolerar corruptores em seu time. Está reduzindo os custos operacionais como previsto. A interferência dos familiares (filhos propriamente dizendo) ainda será algo preocupante, no que tange as investigações principalmente sobre Flavio Bolsonaro, no mais, até o momento, tem entregue as promessas de campanha”.

Gustavo Borgato - empreendedor da área de investimentos na região de Botucatu.

EDUCADORA

“Dispensando a DISPENSAÇÃO POLÍTICA. Anterior a qualquer esboço de apoio e ou crítica à gestão do Presidente Bolsonaro, peço um momento de reflexão sobre a nossa história. Segundo Mark Lilla, professor na Columbia University, estamos vivenciando, em diversos locais do mundo, a Dispensação Política. A “dispensação política”é um fenômeno difícil de definir e até de perceber; está fundamentado em sentimentos e percepções que conferem força política a princípios e argumentos. Nossa história recente, a insatisfação com as políticas e políticos assolou o nosso país. Alguns (nomeie quem quiser) souberam utilizar estrategicamente a “dispensação política”.  

Nesse sentimento de insatisfação, o desejo de nostalgia de uma pátria segura, que em algum lugar recente de nossa história nos pareceu seguro e ideal, ou melhor, os bons e velhos tempos. Aqui, utilizo o termo Retrotopia utilizado por Zygmunt Bauman em que, a retrotopia é a utopia do passado e uma busca de elementos que nos dêem conforto, mesmo que ilusórios. Devemos também nos atentar e nos precaver de que vivemos em um mundo tecnológico que as informações são transformadas a todo instante – verdades que se tornam mentiras e mentiras que se tornam verdades; as mídias sociais e os meios de comunicação têm poderes especiais uns sobre os outros, é a pós-verdade instalada em nosso tecido social. São poderes que procuram ouvir, mas que, também, podem induzir e influenciar comportamentos de quem lê e ou escuta. Esse preâmbulo, necessário, para expressar o que penso sobre a gestão Bolsonaro e as perspectivas de seu governo. Diante do exposto, podem depreender que não votaria num candidato que utilize a “dispensação política”; entretanto, também não torço contra o seu governo, desde que governe. Ouvi, num programa de rádio que estamos vivendo a “filhocracia”, gostei do termo apesar de me sentir muito mal, viver num país caricaturizado desta forma. Enquanto, escrevo refletindo sobre o sentido deste texto, chega no app do Estadão com a reportagem: Bolsonaro diz que em seu governo a prioridade será quebrar o ciclo da massa hipnotizada. Oxalá assim, o seja! Estamos sob o véu da DISPENSAÇÃO POLÍTICA, ou citando Bauman – “manter o ódio perpetuamente em combustão lenta e incandescente é a melhor receita para o sucesso dos populistas”, ou se desejarem Bobbio: a fabricação de estereótipos – os políticos são corruptos; são estratégias da política teatral para afastar os olhares sobre a gestão necessária e urgente sobre os problemas que devastam o nosso país e, que, pasmem, não começou hoje, mas desde que fomos colonizados. Pontualmente, sobre as perspectivas de governo: Segurança – vendemos a ideia de que “guerra é paz” (filme 1984, George Orwell), matando e armando seremos mais civilizados.

Há diversos estudos – mundiais – que demonstram o contrário. Saúde – o nosso sistema é um dos melhores do mundo, entretanto há muito que ser feito, enquanto mantivermos as políticas paliativas e de urgências não mudaremos o status quo do atual cenário, sem falar dos desvios financeiros (normalizados) que paralisam as políticas públicas.

A questão não é do governo Bolsonaro, é a de todos os políticos e de qualquer governo – Sáude é um dos tripés de uso da política teatral, que muitos se utilizam para garantir votos, por exemplo. Previdência – Necessária e urgente. O mundo mudou, a sociedade mudou, temos férias e fins de semana prolongados, vivemos pequenos momentos de aposentadoria; diferente de tempos remotos em que as pessoas, morriam após dois a cinco anos após a aposentadoria, e viajavam só quando aposentados. Vivemos muito mais, a adolescência foi ampliada, por que não trabalharmos mais? Podemos e devemos.

Educação – Aqui, meu calcanhar de Aquiles. Ao mesmo tempo coisas boas e más. Até agora, a paralisia sobre as políticas públicas para a educação, têm me dado calafrios. Ouço pessoas dizerem que professores tem duas férias nos anos – não, não temos! O que temos é um recesso escolar, em que muitas vezes, somos convocados para trabalhar, diretamente ou indiretamente na escola (cursos, por exemplo); levamos provas para serem corrigidas em casa, temos que planejar aulas para um ano inteiro no qual, muitas vezes são interrompidas por alunos e famílias que não tem compromisso com a escolarização desses educandos; por políticas que não são, necessariamente, de esquerda; com salários medíocres que impedem formação continuada, segundo o desejo do professor e não imputadas por editoras para venderem manuais e apostilas de como se ensinar bem; e, sobretudo, com políticos que desconhecem o ambiente de uma sala de aula, o trabalho profissional de um professor, e da falta de materiais e equipamentos de qualidade além da manutenção adequados para a segurança de todos os partícipes. Infelizmente, por enquanto, o nosso ministro (com “m” minúsculo) só decepcionou, utilizando a dispensação política se perde em seu discurso retrogrado e desinformado. Professores não são vagabundos, muitos estão reféns, por anos da falta de zelo dos políticos que deveriam cuidar melhor de quem cuida dos futuros cidadãos. Muitos professores têm a Síndrome de Burnout e nada fazem para cuidar dos mesmos...

Como professora, tento cuidar da minha saúde mental, para não cair na vitimização, amo minha profissão apesar de não ser reconhecida. Mentira, todo aquele que diz ser o professor a profissão mais importante. São só discursos das políticas teatrais... E, ainda como professora, gostaria de ressaltar que não tenho de “massacrar ambiente educacional com ideologia de esquerda”; mal consigo fazer com que meus alunos lembrem das diferenças entre os estilos da arte grega e da arte romana.

Atualmente, sou professora da rede pública, e exijo que meus alunos tenham informações que se tornem conhecimentos e que não sejam vítimas das dispensações políticas. Ensino a pensar, eles devem votar em quem quiserem... Para finalizar, não sou contra o governo Bolsonaro, mas ainda esperando ver ele governar... Por enquanto ainda estamos num país em democratização, portanto, ainda não sabemos sequer o que é DEMOCRACIA...   Eliana Curvelo Mestre e doutoranda em Educação Escolar, especialista em Metodologia de Ensino, Arte Educadora, Professora de Arte e de História da Arte. Botucatu, 11 de março de 2019”.

DELEGADO

“O governo está apenas começando, mas pelas iniciativas de endurecimento da legislaçao penal para dificultar a vida dos criminosos e também as reformas propostas que com certeza traram mais estabilidade ao pais avalio como ótimo o governo Bolsonaro” Delegado Seccional de Botucatu - Antônio Soares da Costa Neto.

Várias pessoas foram perguntadas sobre a gestão do presidente, elas que atuam em áreas como do direito, negócios, comércio, política, porém a maioria não respondeu.

(Do Agência14News)